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Esse blog reúne artigos de conteúdo sobre a arte do sapateado americano. Para VISUALIZAR A LISTA com todos os artigos postados, digite “lista de artigos” na caixa “buscar”. Se quiser publicar um artigo, entre em contato comigo via e-mail. Boa leitura

15

de
outubro

KS Cia de Sapateado

 

A companhia conta com integrantes de diversas cidades do Estado, que se reúnem para somar e dividir, técnica e diferenças de estilo. É aberta a novos coreógrafos e convidados oriundos de outros estilos de dança. Ainda estamos engatinhando e descobrindo nosso caminho mas gostaria de dizer que me sinto realizada e feliz de ter conseguido juntar pessoas de muito valor para a dança e que acreditam no sapateado como eu sempre acreditei. Fizemos algumas apresentações com o espetáculo:

 

• Inside the Music : Coreógrafos : Adriana Digiovanni,Charles Renato, Juliana Garcia e Steve Zee

 

• Elenco : Adriana Digiovanni, Aline Carneiro, Ana Paula Veneziani, Charles Renato, Juliana Garcia, Maíra Ovalle, Rafael Gonçalves, Samanta Varela e Susan Baskerville.

 

 

• Direção Geral Kika Sampaio

 

• Apresentações:Mostra de Dança de Corumbá - Corumbá 2007; Abertura do Festival Passo de Arte – Indaiatuba 2008; Brasil Internacional Tap Festival – Campinas 2008

 

Os Primeiros Passos da Cia

Fiz várias tentativas de ter uma companhia de sapateado americano sendo a primeira "Salto e Sola" juntamente com a Marchina, que posteriormente se transformou na "Brasil Tap Dance", e que seguiu caminho somente com Marchina.

 

Depois continuei com a Cia. do Kika Tap Center, que acabou terminando por falta de verba. Já numa nova fase de vida e com um novo olhar sobre a dança em 2006, o Kika Tap Center completou 25 anos e para este dia foi elaborada uma noite bem especial onde juntou grandes nomes do sapateado e da música, como a Traditional Jazz Band; Giba de Syllos, Chris Matallo, Charles Renato, Juliana Garcia, Adri Digiovanni, Kátia Barão, Susan Barkerville, Marcela Benvegnu … E foi lá que começaram a surgir às primeiras idéias incentivada pelo professor americano Steve Zee para o surgimento da KS Cia de Sapateado, que tem como principal proposta reunir grandes sapateadores, revelar novos coreógrafos e apresentar um trabalho que valorize cada indivíduo como um todo.

Kika Sampaio - Diretora artística

 

Diretora do Kika Tap Center desde 1982, escola pioneira no Brasil especializada em sapateado americano e representante oficial do método de ensino “Kahnotation”. Atua como professora e coreógrafa.
…Quando comecei a sapatear, o sapateado estava “ressurgindo”. Tudo começou em 1976, em Londres, quando tive o meu primeiro contato com esta dança. A dança sempre existiu na minha vida. Fiz muitas aulas de clássico, expressão corporal, moderno, jazz… De volta ao Brasil, encontrei um professor em São Paulo, chamado Gualter da Silva, que me ensinou muitas coisas e me aconselhou a ir aos USA para me aperfeiçoar.

 

Conhecendo o professor Stanley Kahn, em São Francisco, vi que tínhamos algo em comum: a preocupação em ensinar esta arte de uma forma descontraída e simples. Em Nova York tive aulas com grandes professores que me ensinaram outros estilos de sapateado. A minha escola é a do “Tradicional Tap”, sapateado tradicional, que valoriza os antigos sapateadores pela suas criações e pelo seu valor na história do sapateado Americano.

 

Durante este período criei várias coreografias para os principais musicais em São Paulo, trabalhando junto aos mais importantes diretores do teatro nacional como Jorge Takla, Charles Müller, Jorge Fernando, Wolf Maia dentre outros.

 

Nos EUA, fui convidada a participar do "Special Tap Dance Tribute to Mr. Stanley Kahn" realizado em S.Francisco e Special Tap Tribute to Henry Lee Tang New York.

 

Fez parte do Conselho Consultivo do Festival de Dança de Joinville 2005-2006. Pioneira no Brasil do curso de sapateado a longa distancia, pela Unidança.

 

Atualmente além de dar aulas, também ministra cursos de especialização em metodologia de ensino para professores.

 

28

de
maio

Jimmy Slyde, uma entrevista, parte 1

James Titus Godbolt nasceu em Atlanta, em 1927, mas foi em Boston, onde seus pais se mudaram quando ele ainda era criança, que descobriu seu amor e talento pelo sapateado. Ainda jovem, juntou-se ao Jimmy Mitchell para criar a dupla The Slyde Brothers, com o qual desenvolveu seu estilo deslizante. Ficou rapidamente conhecido no meio como Jimmy Slyde.
     Seu estilo elegante, sua musicalidade impecável, seu senso de ritmo, seu carisma e seus famosos deslizes pelo palco o tornaram uma personalidade em constante demanda pelas grandes orquestras de jazz da época, trabalhando assim com os maiores jazzistas, como Duke Ellington, Count Basie e Louis Armstrong, entre outros.

     Nos anos 70, morou na Suíça e na França, onde ajudou a desenvolver o rhythm tap, junto com Sarah Petronio. Em 1985, participou da montagem original de "Black and Blue", em Paris, e em 1987 voltou para os Estados Unidos, trabalhando nos espetáculos “Black and Blue” na Broadway, e nos filmes “Tap” (com Gregory Hines e Sammy Davis Jr), "The Cotton Club", “Round Midnight”, e outros. 
     Jimmy foi o mentor de sapateadores importantes da cena atual, como Van Porter, Max Pollack, Tamango, Roxanne ‘Butterly’, entre muitos outros.

Ele faleceu dia 16 de maio 2008, aos 80 anos de idade.

Fiz essa entrevista em maio de 1998, quando veio ao Rio de Janeiro, a convite de Claudio Figueira, para participar do “Tap Encontro”. Vale a pena reler.

Steven Harper: Esta é a primeira vez que você vem ao Brasil?
Jimmy Slyde: Não, eu estive aqui antes com um show chamado "A Thousand Years of Jazz" – no Rio, São Paulo e algumas outras cidades da América Latina. Havia grandes dançarinos no grupo: Lon Chainey, Ralph Brown… foi ótimo.

SH.: Você se lembra em que ano foi isso?
JS.: Não exatamente, foi no início dos anos 70, antes de me mudar para a
Europa (Jimmy passou vários anos na Suíça e na França)

SH.: Essa turnê era com uma big band?
JS.: Não era uma orquestra grande, mas era uma grande orquestra. Chamava-se "The Legends of Jazz". Eles já eram senhores, todos de Nova Orleans e tocavam o jazz tradicional. Eles tinham em média 70, 80 anos –
foi um show muito bom.

SH.: Você era o jovem então?
JS.: Sim, eu era a criança no show (risos - ele tinha uns 45 anos).

SH.: Você conheceu algum sapateador brasileiro nesta turnê?
JS.: Um amigo me levou a alguns estúdios de dança. Eles não tinham muita gente com chapinhas, mas estavam sapateando, dançavam com sapatos comuns. O sapateado ainda não era muito popular e conhecido na época. Eles gostavam de assistir, a audiência era ótima, mas eu não acredito que muitos sapateadores tenham estado aqui antes de nós.

SH.: Agora você volta e tem entre 60 e 70 alunos assistindo sua aula. Qual
foi sua impressão sobre eles?

JS.: Eu penso o mesmo que antes: deveria haver mais sapateado no Brasil!
Eu fiquei feliz de ver tantos dançarinos maravilhosos, eu fiquei realmente
impressionado. Nas aulas nós não nos comunicamos verbalmente porque eu não falo português, mas nós nos comunicamos e eles entenderam e fizeram o que eu pedi que fizessem. Fizemos alguns fundamentos do sapateado e foi uma boa aula, acredito que eles se divertiram.

- Não perde a segunda parte da entrevista

 

28

de
maio

Jimmy Slyde, uma entrevista, parte 2

SH.: Em outras entrevistas suas, você sempre enfatiza a importância das
bases do sapateado. Porque isso e o que você achou dos sapateadores daqui?
JS.: Bem, as bases são o mais importante porque qualquer dança que se faça, consiste de básicos. É como um instrumento musical, você não vai tocar nenhuma nota que não esteja lá. Existem as bases e se faz combinações de passos a partir delas. Logo aqui, como em qualquer outro lugar, eles precisam praticar mais o básico. O mesmo vale pra você, pra mim, pra qualquer um! Eu também vi uma movimentação de qualidade e particularmente muito prazer em fazê-lo, então estou feliz com o que vi aqui.

SH.: Você se sente especialmente satisfeito quando vê jovens sapateando?
JS.: Sempre, sempre, porque eu sei que vai durar: jovens mostrando a outros jovens, mais velhos mostrando aos jovens… e o prazer continua, afinal a dança é essencialmente, prazer.

SH.: O sapateado quase sumiu durante os anos 50 e 60 nos Estados Unidos, durante esses anos, alguma vez você achou que o sapateado ia simplesmente morrer?
JS.: A dança não acabaria nunca, talvez os trabalhos. Mas o sapateado não acabaria, ou morreria, nunca. Os clubes, teatros, lugares onde as big bands tocavam, todos eles passaram a apresentar outros tipos de shows. A realidade crua ganhou mais importância, os negócios mudaram e não acho que estejamos melhor assim. Da mesma forma aconteceu com o cinema, nós costumávamos ver um monte de musicais, agora tudo que há é violência, não vejo alegria na indústria do entretenimento. Eu gostaria de ver um musical de vez em quando, o cinema. Quando foi a última vez que você viu um musical, fora da Broadway? Então, eu penso que se nós voltarmos para essas produções um pouco mais, mesmo que enfatizando hip hop, ou rap, ou o que quer que seja, o sapateado tem que estar presente, ele é clássico, vai existir enquanto existir dança. É simples assim.

SH.: Você mencionou hip hop, o que me faz pensar em Savion Glover (a
estrela do musical "Bring in da Funk, Bring in da Noise"). Você o vê como
um líder, alguém que pode influenciar positivamente e inspirar a nova
geração? (lembra que a entrevista data de 1998!)
JS.: Ah, ele já fez isso, inspirou um monte de jovens. Ele fez a dança importante de novo porque mostra a energia e a juventude, mas também mostra um grande sapateado – é fantástico – e ele passa sua experiência para outros grandes dançarinos como Bakaari Wilder, Omar, Derek Grant e todos os outros que fazem parte do show. Eles estão realmente marcando presença no mundo da dança.

SH.: Que conselho você daria para os jovens sapateadores de hoje?
JS.: É o mesmo que se preparar para o esporte: fique em forma. Entre-se em forma praticando, sabendo as bases. Eu continuo voltando para elas, isso te deixa afinado. Eu não acho que todos devam tentar ou vão tornar-se profissionais, mas vão ter muita diversão somada a um exercício melhor que aeróbica, e serve para pessoas mais velhas também. Você sabe, eu não sou mais nenhum garoto. Sapatear me mantém firme através dos anos, não é apenas saudável há também muito prazer na dança. A pessoa se inspira e não pára nunca de aprender. É uma atividade feliz!

SH.: Você diz que nunca pára de aprender. Você sempre sapateou do mesmo jeito que hoje? Depois de 50 anos de dança, você ainda se inspira com ela? Ainda cresce como dançarino?
JS.: Não acho que esteja crescendo e sim amadurecendo. Eu não me esforço
tanto, não pratico como deveria. Não sou um dançarino aspirante. Transpirante sim, aspirante não (risos). Isso é para a juventude. Eles têm que se exercitar, estar por dentro, trocar passos, ver o que os outros estão fazendo, gostar e pegar algo para si… manter-se saudáveis no sapateado. Eu mesmo fico por aí, tomando conta das minhas crianças, porque eu os chamo a todos de minhas crianças, Savion, Bakaari, Derek, Van Porter e todo mundo. Quando eles precisam saber de alguma coisa eu procuro estar à disposição. Van me chama de doutor, "Dr. Slyde" (risos). Então eu espero estar sendo útil aos dançarinos mais jovens, pra fazê-los ver como é bom.

SH.: Você teve uma boa vida?
JS.: Maravilhosa – e ainda continua…

SH.: Desculpe, não me leve a mal…
JS.: Ah, não, não… esta é a boa parte – a vida continua e eu sinto que ainda tem alguma coisa boa vindo por aí. Enquanto eu puder, por exemplo vir ao Rio e ter a oportunidade de fazer as pessoas sorrirem, isso me faz sentir feliz.

SH.: No palco você nunca se repete ou faz as mesmas combinações?
Sempre trabalhou na base do improviso ou já fez parte de um show onde devia repetir uma coreografia?
JS.: Eu amo improvisar porque amo o jazz, sou da geração do Be-bop, com Dizzy Gillespie, Charlie Parker, esse pessoal. Eu gosto da liberdade que o improviso permite. Eu sou um fã e estudioso dessa parte da dança, eu tento mantê-la viva. Eu espero que mais tarde alguém faça isso por mim.

SH: Mas o Be-bop não é uma música dançante, pelo menos não é a intenção do Be-bop de fazer dançar.
JS: Bom, alguns falam isso mas para mim era. Talvez porque conseguia pensar rápido o suficiente ou era interessado o suficiente em saber qual seria o papel do Be-bop dentro do jazz para querer participar do processo. Tenho a chance de ter muitos bons amigos músicos como Barry Harrisson, Dexter Gordon e de trabalhar com eles. A grande época dos big bands chegava no fim, era mais, sabe, pequenas bandas, e eu tinha mais gosto para o Be-bop.
Hey, não mudaria nada. Bom, na verdade gostaria de ter visto alguns sapateadores, como Baby Laurence, desfrutar de mais sucesso, que mais pessoas os conhecessem, porque eram realmente incríveis. Não pode imaginar a não ser que estava na companhia deles e pude ver e ouvir o que estavam fazendo. Eram tão a frente dos outros.
Mas eu, como disse, tento preservar e levar a arte para frente. Sou um fan e um estudioso dessa forma de sapatear. Espero que depois de mim vem alguém para a levar adiante. Van "The Man" está indo bem, Savion está ótimo. Herben Van Caseyle (‘Tamango’. Nota do tradutor) da Guiana, Roxanne (‘Butterfly’, como ele mesmo a batizou. Nota do tradutor), da França, tem muita gente.

SH.: Eles são seus "protegidos"?
JS.: Bom, nós temos algo em comum, nós curtimos o mesmo sentimento pela dança que é brincar com a música, não apenas tocá-la, mas brincar com ela, a gente se diverte muito trocando passos. Enquanto existir música, haverá dança.

SH.: Eu gostaria de dizer que, não apenas para mim mas para todas as pessoas envolvidas neste "Tap Encontro", a sua vinda aqui é algo muito especial, um grande evento, provavelmente maior do que você próprio possa imaginar.
JS.: Esse é um grande privilégio, não apenas ver o que estou vendo e ouvir o que estou ouvindo mas só de saber que alguém se importa com a dança e quer ver o coroa aqui escorregando por aí – fico muito orgulhoso. Sou grato ao Cláudio Figueira por me convidar e aos dançarinos pelo interesse e pela forma como o demonstram. E não esqueçamos a Margaret Morisson, ela está fazendo um maravilhoso trabalho deixando as crianças afinadas…

SH.: Muito obrigado por nos ceder um pouco do seu tempo, você teria algum comentário final?
JS.: Que a boa dança continue e que as pessoas possam ter prazer assistindo e participando.

5

de
março

Jacques Dalcroze e a Eurritmia

Esse texto entra no capitulo dos ‘assuntos relacionados’. Foi enviado por Juliana Castro, de Brasília.

Dalcroze e a Eurritmia
   Aos 27 anos de idade, como professor no Conservatório de Música de Genebra e já então um compositor reconhecido, Emile Jaques-Dalcroze constatou que os estudantes não conseguiam ouvir (pela escuta interna ou mental) a música que viam escrita na partitura impressa, e que estes mesmos estudantes executavam o que liam de uma forma mecânica e pouco musical.
   Estas observações levaram Jaques-Dalcroze a compreender que faltava aos estudantes a coordenação entre olhos, ouvidos, mente e corpo necessária para aprender o repertório e, principalmente, para tocar bem. Assim, percebeu que o primeiro instrumento musical que se deveria treinar era o corpo. Isto foi em 1887.
   Em meados do século XX diversas pesquisas confirmaram estas idéias: a kinestesia (de kines = movimento, thesia = consciência) é de fato o sexto sentido. Na infância, todos os sentidos recebem informações da kinestesia – por isso é que as crianças estão sempre se movimentando, explorando o mundo e construindo os “mapas” mentais que serão usados pelo resto da vida.
    Eurritmia significa literalmente “bom ritmo” (de eu = bom, ritmo = fluxo, rio ou movimento). Combinação harmoniosa de proporções, linhas, cores e/ou sons; harmonia de um todo; movimentação harmoniosa das partes que compõem um organismo. A eurritmia de Dalcroze estuda todos os elementos da música através do movimento, partindo de três pressupostos básicos:

1. Todos os elementos da música podem ser experimentados (vivenciados) através do movimento.

2. Todo som musical começa com um movimento, portanto o corpo, que faz os sons, é o primeiro instrumento musical a ser treinado.

3. Há um gesto para cada som, e um som para cada gesto. Cada um dos elementos musicais – acentuação, fraseado, dinâmica, pulso, andamento, métrica – pode ser estudado através do movimento.

   Muita gente pensa, equivocadamente, que a Eurritmia é uma espécie de dança, ou de ensino de movimentos bonitos. Na verdade, os movimentos usados na Eurritmia são improvisados pelos próprios alunos, e não propostos pelo professor. 
   A dança é uma arte em si mesma; a eurritmia é um meio para se atingir a plena musicalidade. O professor que usa a metodologia de Dalcroze costuma pedir aos alunos: “Mostrem-me o que vocês estão ouvindo”, em vez de “Digam-me o que vocês estão ouvindo”.
   Como a música é arte não verbal, é este universo sem palavras que deve ser explorado durante as aulas e workshops. Há muita atividade física, muito movimento enquanto se ouve a música tocada pelo professor (geralmente improvisando ao piano). Nestes jogos e brincadeiras rítmicas os alunos se envolvem e aprendem a aplicar, nas aulas e nas suas performances, os conceitos ali vivenciados. Sempre que possível, usam a demonstração ao invés da narrativa oral.
   A mesma idéia se aplica à formação de professores para o método: “Tentar aprender o método Dalcroze somente com a leitura é o mesmo que tentar aprender a nadar somente através da leitura”.

O Método Dalcroze
   Para cada som existe um movimento análogo, e para cada movimento existe um som análogo.
   O Método Dalcroze visa à aprendizagem da música através da utilização do movimento e da sensação corporal.
   As atividades propostas na experiência musical transformam-se em conhecimento durante um processo altamente interativo.
Por meio de jogos, atividades musicais, improvisos e dramatizações corporais, busca-se um amplo desenvolvimento do indivíduo.
   O método eurrítmico é um sistema de treinamento musical que utiliza a resposta do aluno ao ritmo proposto através de movimentos rítmico-corporais. Para Dalcroze o "movimento corporal é o fator essencial para o desenvolvimento rítmico do ser humano", ou que "a execução de ritmos corporais contribuem para o desenvolvimento da musicalidade". Na prática pelo movimento corporal é que se pede tomar consciência do valor plástico do ritmo, assim como nas diversas modalidades agógicas e dinâmicas.
A rítmica desempenha um papel importante em todo programa de educação musical infantil. Dalcroze é considerado por muitos o "promotor do desenvolvimento rítmico, tanto que sua influência tem sido preponderante”. Ele criou a rítmica constatando que, na música, o elemento mais violentamente sensorial, o mais estreitamente ligado à vida, é o ritmo, o movimento.
   A rítmica tem por propósito "desenvolver e regular as faculdades motrizes do indivíduo, criar novos reflexos, harmonizar, associar os movimentos corporais em co-relação com os movimentos do pensamento, e estabelecer uma comunicação íntima entre as ações e os desejos; entre as sensações e os sentimentos; entre a imaginação e a sensibilidade". Enfim, Dalcroze entende o ritmo como fator organizador dos elementos musicais e que toca, de imediato, a sensibilidade infantil.
   Para Dalcroze, qualquer fenômeno musical é objeto de uma representação corporal: pulso, acento, valores rítmicos e silêncios de caráter rítmico; caráter melódico e dinâmico (altura, intensidade e timbre); caráter harmônico (relações de tensão entre tônica e dominante) e caráter formal (frases, estruturas e formas musicais). Apela continuamente à atenção, à memória auditiva e à capacidade de livre expressão do aluno, mediante a criação de exercícios rítmicos e melodias com ritmo, de movimentos simples e coreografados.

21

de
novembro

Grupo Tap Dance, Juliana Castro

Grupo Tap Dance

Sob a direção artística da sapateadora e coreógrafa Juliana Castro, e a Direção Musical do Percussionista Edinho Silva o grupo é composto, hoje, por 7 Sapateadoras.

O trabalho do Tap Dance em Brasília é pioneiro. Com a distância do eixo Rio - São Paulo, em 1994 o grupo buscou aprimoramento técnico. A partir desta decisão, grandes mestres passaram por nossa história em Brasília através dos workshops organizados pela diretora do grupo: Carlos Viegas, Juliana Gallotti, Carolina Cavaliere, Juliana Garcia, Flávia Costa, Valéria Pinheiro, Lane Alexander, Heber Stalin, Steven Harper, Charles Renato, Adriana Salomão e Flávio Salles.

O grupo também se fez presente em importantes eventos, cito: Tap in Rio, Curso de verão na Academia do Tap, Campinas Tap Festival, Shuffle In, Festival de Dança em Goiânia, Taguatinga Dança, Twins Tap Center, na Argentina, entre outros tantos.

No ano de 2000, Juliana Castro dirigiu o espetáculo Sapateando no Tempo, um musical que narrou à trajetória do sapateado. Ele possuía uma abordagem histórica calcada nas três origens dessa arte, o sapateado irlandês, o africano e, por fim, o sapateado americano. Com esse tema, buscamos atingir a larga extensão das palavras sapateado, ritmo e tempo. Elas extrapolam qualquer tipo de conceituação fechada por terem, em comum, a arte de estarem em constante aperfeiçoamento e criação.

Dessa forma, traduzimos, em um show, a origem e a essência do sapateado. Música, percussão e movimentos corporais que buscam a rima, o som e o toque dos pés dos sapateadores.

Em Geometria Brasileira , o Grupo Tap Dance representado por Juliana Castro, sapateadora e Yara Cordeiro, capoeirista, vestiam roupas brancas sobre as quais eram projetadas as telas na inauguração da Mostra Geometria Brasileiras do pintor paulistano Aldir Mendes de Souza. As bailarinas executaram uma performance sapateando e gingando ao som de poemas de Décio Pignatari, Augusto e Haroldo de Campos. Cid Campos musicou as poesias.

Outro trabalho inovador foi juntar em um único número, um show de improviso e desafio entre um percussionista que toca um blues em um berimbau, uma sapateadora e uma capoeirista.

O Grupo Tap Dance apresenta números de sapateado tocando instrumentos alternativos ao vivo, mesclando o estudo rítmico feito com o percussionista Edinho Silva e as técnicas do sapateado americano.

Deste trabalho floresceu, no espetáculo Batuque, em 2004, a composição coreográfica chamada: "Tambores". Nela, criamos a nossa identidade visual e melódica! Conseguimos mostrar que éramos capazes de dançar e tocar simultaneamente, as nossas levadas e os nossos grooves eram produzidos pelo toque dos nossos instrumentos alternativos e pelo som dos nossos sapatos musicais. Trabalhamos com funk, samba reggae e samba de quadra.

No ano de 2005, trabalhamos na concepção e montagem do REPERCUSSÃO que percorria desde a linguagem mais clássica e tradicional até a mais moderna Arte do Sapateado Americano. Tratava-se de uma abordagem rítmica da trajetória do blues, do jazz, do rock e do funk ao longo dos tempos.

Em seu acervo, o grupo possui duas coreografias da sapateadora Juliana Garcia de Ribeirão Preto, coreografias com arranjos percussivos do músico Edinho Silva e coreografias tradicionais de repertório do universo do sapateado, como a bela coreografia do Bojangles’ Doin’ the New Low Down e o Shim Sham, na versão do coreografo Henry Le Tang (transmitida por Steven Harper quando esteve ministrando aulas para o grupo em 2006).
No ano de 2006, no espetáculo In-pulso criamos nossas composições coreográficas com Baião, Maracatu e Boi-Bumbá com cabos de vassouras. Para tamanha tarefa, mais uma vez contamos com a presença do parceiro, músico, professor e arranjador, Edinho Silva.

Após tantos cursos, espetáculos e investimentos surgia então, mais um desafio, a vivência da Jam Sessiom. Tivemos a honra de estrearmos no mundo da improvisação ao lado de Lane Alessander e Heber Stalin; em uma segunda prática, Steven Harper; e para não dizer que foi sorte de principiante no mundo da diversão através da técnica do improviso, em 2007, na terceira Jam em Brasília, tivemos a presença de Adriana Salomão e novamente do Steven Harper no evento Tap in Rio – Brasília.

O Grupo Tap Dance tem o compromisso de preservar e inovar a Arte do Sapateado Americano sob a direção da Sapateadora Juliana Castro e de seus atuais integrantes, Alessandra Rizzi, Andressa Nirvana, Larissa Coutinho, Ingrid Zago, Cínthia Moraes, Marina Linhares e Helena Galvão.

Juliana Castro

Pós-graduada em Educação Física, bailarina, coreógrafa, com formação em Sapateado Americano, no Rio de Janeiro (RJ). Produz espetáculos de dança e promove cursos de formação de professores de sapateado. Na Universidade de Brasília (UnB), foi professora nas disciplinas de Formação Rítmica do Movimento e Práticas Desportivas, do Curso Superior de Educação Física. Sua formação de dança inclui as seguintes modalidades: jazz, street dance, dança de salão, afro, moderno e balé. Também possui formação em teoria musical e percussão. Fez cursos de atualização em sapateado com renomados professores nacionais e internacionais, freqüentando, anualmente, cursos de aprimoramento da estética. Criou a Mostra de Sapateado e os Workshops de Sapateado do DF, além da 1ª Mostra para Pessoas Portadoras de Deficiência. E organiza semestralmente a Festa do Tap com o propósito de comemorar o Dia Internacional do Sapateado, cada 25 de maio. Hoje, é diretora do Centro Cultural Tribo das Artes e da Escola de Sapateado Juliana Castro onde promove eventos culturais e artísticos.

22

de
outubro

Cia Vatá, Valeria Pinheiro

A seção ‘destaque brasileiros’ apresenta o trabalho de alguns sapateadores atuantes no cenário cultural profissional do país, com espetáculos já estreados e atuação regular. Por ser uma seção em constante construção, a lista nao é exaustiva.

Depoimento

Há mais de 20 anos venho dedicando minha vida artística a fazeres que envolvem pesquisa acadêmica, pesquisas in loco e realizações de espetáculos, no universo das tradições e manifestações populares do Brasil.

Cearense filha de sertanejo me criei nesse universo, onde as danças e “sapateados” feitos pelo meu pai, um Mestre de reisado, me imprimiu um acervo musical e corporal que me empurra ainda mais pra o universo fascinante das tradições do meu país.

Formei-me Engenheira Civil pela Universidade Federal do Amazonas / Universidade Federal do Ceará, e, me descobrindo artista, senti necessidades de migrar pro eixo Rio - São Paulo, para me aproximar ainda mais de informações preciosas que infelizmente, ainda não nos eram possíveis em meu Estado. Entre o ser Engenheira Civil e o ser Artista, larguei a prancheta e me dediquei de corpo e alma a minha dança. Passei cerca de 18 anos no Rio de Janeiro, onde fiz mestrado em Análise de Sistemas e paralelo a isso me infiltrei no cenário artístico, coreografando, dirigindo ou produzindo e pensando arte.

Foi no Rio de Janeiro, onde primeiro fiz minha pesquisa, de forma mais acadêmica, isso se deu nos morros, mergulhando no universo do samba, e desde então me aproximar, viver e colher o melhor dos Mestres das Tradições ditam o meu tempo e minha história artística.

Em 1994, fundei a Cia. Vatá no Rio de Janeiro, que dentro do cenário artístico carioca fez vários espetáculos e foi merecedora de importantes prêmios, entre eles o Prêmio Coca-Cola de teatro jovem e o Prêmio APETESP da academia paulista de artes cênicas.

Em 2000, a convite do Professor Flávio Sampaio, na época diretor do Colégio de Dança do Ceará e representante legal da área de dança da Universidade Gama Filho - Ceará no departamento do curso superior em Dança e Coreografia, mudei de residência e voltei às minhas raízes no Ceará, deixando no Rio uma companhia que já andava sozinha e já pertencia ao meio artístico com raízes calcadas no trabalho conquistado ao longo de todos esses anos.

Entrei para o Colégio de Dança do Ceará e terminei meu curso de graduação como coreógrafa e já ministrava aulas na Universidade Gama Filho, pioneira no Ceará no curso superior em dança e coreografia.

Resolvi retomar minha Cia. Vatá, e através de audição, constitui um corpo de bailarinos genuinamente cearense. Começamos essa nova jornada, e em outubro de 2000 já estávamos com nossa primeira produção em cartaz em Fortaleza, “Brasil de Todos os Ritmos”, que mereceu representar o Ceará / Brasil na EXPO2000 em Hanôver na Alemanha, prêmio esse patrocinado pelo Governo do Estado do Ceará em parceria com a Embaixada brasileira na Alemanha.

Seguimos nossas pesquisas e investigações e produzimos em 2001 “Bagaceira”, o primeiro espetáculo de uma trilogia onde o universo pesquisado é o corpo provindo das matrizes tradicionais e folguedos nordestinos. O espetáculo ganhou dois importantes prêmios: Em Cena Brasil - 2001 (Ministério da Cultura e Funarte) e o Prêmio de Incentivo às Artes Cênicas, da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará. O espetáculo nos colocou no mercado nacional e internacional, circulamos pelos principais teatros do Brasil e participamos do II New York Tap Festival,  em julho de 2002.

Começamos a nossa pesquisa em meados de julho de 2002, e de lá pra cá, o universo pesquisado nos deu subsídios que compuseram as matrizes corporais e rítmicas do segundo espetáculo da trilogia. Em dezembro de 2002, tivemos a feliz notícia de termos sido aprovados pelo Projeto Petrobras de artes cênicas. Essa notícia nos avalizou para seguirmos as nossas pesquisas a cerca do corpo ritualístico, e visitamos vários municípios do Ceará, Pernambuco, Goiás e Bahia em busca de maiores informações que serviram de mote no universo do qual falamos em “Bagaceira, a dança dos Orixás”.

Circulamos pelos principais festivais de dança contemporânea do Brasil (Festival Dança Brasil, Festival Migrações, Festival de Inverno de Campina Grande, IV Bienal de Dança do Ceará) além de fazer uma turnê por Nova York, Montana e Chicago, nos Estados Unidos.
A parceria com a Petrobras nos proporcionou formar uma equipe de criação para esse espetáculo com os principais nomes do nosso Estado, como: o grande artista plástico e escritor cearense Descartes Gadelha na pesquisa acadêmica, André Scarlazzari no cenário, Ruth Aragão nos figurinos, Fernando Peixoto e Walter Façanha na luz, e Paulo Amoreira na programação visual.

‘Bagaceira, a dança dos Orixás “ em sua composição e apresentação gráfica, nos coloca em patamares nunca alcançados por uma Companhia de Dança de nosso Estado. A credibilidade junto às empresas cearenses e nacionais aumentou ao longo desses últimos 4 anos, e acreditamos ser possível continuarmos em parceria com o governo do Estado do Ceará e empresas cearenses que vêm apoiando a dança no Ceará.

“Bagaceira, a dança dos Ancestrais” encerrou a trilogia e já percorre uma trajetória de sucesso.  Nossas mentes e corações estão agora voltados pra “Caçadores de Pipa”, espetáculo que nos fez viajar pela história do samba no Brasil, seguindo a trilha da diáspora do negro no Brasil.

Caçadores de Pipa
O projeto “Caçadores de Pipa” é mais um espetáculo a juntar-se ao repertório da Cia Vatá, que celebra o resultado de vários anos de pesquisas dentro dos ritmos e danças da tradição brasileira.

Nele abordamos o corpo no samba e suas influencias dentro das manifestações afro-brasileiras, seguimos esse corpo pesquisando a diáspora do negro no Brasil, com embasamentos calcados em pesquisas in loco, e um recorte para o corpo nas manifestações dos ritmos, danças e crenças no universo afro-brasileiro, tendo como foco o samba e suas influências em ritmos tradicionais nordestinos.

A concepção do texto e música foi baseada em pesquisas da história do samba, onde a mitologia recortada desse universo é apresentada através do corpo e no uso de onomatopéias, o ritmo e os sons dos sapatos de sapateado recriam o “Semba” e as fictícias ladeiras da baixa do sapateiro no cenário, trazem á tona a sensualidade desse corpo que originou a marca do Brasil tão conhecida do mundo: o samba.

Nessa fase tivemos a participação preciosa do coreógrafo baiano radicado em Miami-EUA, diretor da International Florida University, Augusto Soledade, que tem como mergulho principal de sua obra a cultura afro-brasileira.  Essa contribuição foi de enorme importância pra nossa obra em geral e em especial pra construção desse novo trabalho.

“Se a memória é conhecimento, a construção de uma proposta estética tem em nós uma possibilidade de resgate dos valores impressos em nossos corpos através da cultura. Em cada fragmento de corpo está a estrutura do todo. Conhecer o que nos torna parte singular desse todo é compreender melhor a verdade do nosso corpo. Entendemos, no entanto, que não há a possibilidade de fuga dessas impressões de espaço, ritmo e lugares que nos permeiam e formam” (Eugênio Barba).

Contato:
085-3219-4939 (Café Teatro das Marias e residência Cia. Vatá)
Email: valtaper@oi.com.br

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de
outubro

No Baixo do Sapateiro

A seção ‘destaque brasileiros’ apresenta o trabalho de alguns sapateadores atuantes no cenário cultural profissional do país, com espetáculos já estreados e atuação regular. Por ser uma seção em constante construção, a lista nao é exaustiva.

 

Bruce Henri e Steven Harper - No Baixo do Sapateiro
Um contrabaixo e um par de sapatos de sapateado.
Um duo eclético num show elétrico.

No Baixo do Sapateiro é o encontro de um contrabaixo, um par de sapatos de sapateado e seus respectivos mestres: Bruce Henri e Steven Harper, dois americanos que depois de passarem anos na Europa, tornaram-se “cariocas”.

Esta aproximação cênica inusitada evoluiu numa parceria inspirada na busca do entrosamento perfeito, da dinâmica musical, da virtuosidade, do improviso e do humor.
Por certo o sapateado constitui a trama do espetáculo, mas um largo espaço é deixado à expressão musical pura, ao canto, à percussão e à comédia. Enquanto Steven dança, desliza sobre areia jogada no chão, canta ou bate palmas, Bruce esfrega, puxa e faz as cordas do seu contrabaixo vibrarem, declama ou canta rap, quando não se lança num tango onde o instrumento vira seu improvável parceiro.
O repertório navega alegremente entre o jazz de Sony Rollins, Chick Corea e Charles Mingus, o blues de Robert Johnson e Keb Mo’, a música brasileira de Villa Lobos, Jackson do Pandeiro, Pixinguinha e Ernesto Nazareth, e até os Beatles.
O duo apresenta um programa que oferece amplo espaço para desenvolver as surpreendentes possibilidades acústicas e as riquezas rítmicas de seus instrumentos. Steven Harper e Bruce Henri apresentam uma parceria sólida e madura que desde 1997 vem conquistando numerosas platéias no Brasil, Argentina, Paraguai, Estados Unidos, França, Suíça, Alemanha e Holanda.

Critica 
O resultado de tanto cosmopolitismo é uma incrível dupla que oferece um cuidado espetáculo tanto na perspectiva musical quanto cênica” (…) Os sapatos de Harper (…) constroem um universo rítmico em cada número e emitem as ordens que o resto do corpo cumpre em perfeita sintonia. Não existe nenhum movimento fora do lugar. (…)
O espetáculo sempre mantém a mesma dose de equilíbrio.Bruce Henry consegue que as possibilidades sonoras do contrabaixo sejam mais que suficientes na hora de conceber as melodias. Frenética performance do instrumentista e compositor, que passeia sua mão esquerda a uma velocidade incrível e sempre obteve o que estava buscando.(…)
O humor, o swing, as boas execuções, o talento e a improvisação baseada num férreo trabalho conseguem um espetáculo que, longe de cansar, mantém a expectativa do público ao longo de 80 minutos.”
Cecilia Cordoba, La Voz Del Interior, Córdoba (Argentina)

Steven Harper
Sapateador, professor, pesquisador e coreógrafo, dedica-se a difundir a técnica do sapateado americano e à descoberta de novos horizontes para essa arte. Residente no Rio de Janeiro desde 1991, teve um papel central no desenvolvimento do sapateado no Brasil, onde é uma figura requisitada nos palcos e nas salas de aulas.
De nacionalidade americana, leciona regularmente nos Estados Unidos e na Europa, onde viaja com freqüência. Já dançou em palcos na Argentina, Paraguai, Estados Unidos, França, Holanda, Bélgica Alemanha, Israel e Suíça, onde foi o primeiro sapateador convidado do Festival de jazz de Montreux. Em 2002, dançou na noite All Stars do New York City Tap Festival.
Projetou-se no Brasil pelo seu trabalho com o contrabaixista e cantor Bruce Henri e por outras parcerias artísticas musicais, notadamente com os bateristas e percussionistas Robertinho Silva e Simone Soul. É regularmente convidado especial da UFRJazz Big Band, do maestro José Rua e do projeto “Carlos Malta e o Pife Moderno”. Dirige também sua própria companhia de dança, ensina sapateado no Centro de Artes Nos da Dança e no Centro de Movimento Debora Colker, no Rio de Janeiro, organiza o anualmente o evento Tap in Rio e é representante no Brasil da International Tap Association, organização sediada nos EU. É um showman experiente, que já atuou na mais diversas situações.

Bruce Henri
Contrabaixista, cantor, arranjador e compositor, Bruce nasceu nos USA e cresceu na Europa. Estabelecido no Brasil desde os anos setenta, é um dos mais respeitados músicos em seu instrumento, passeando livremente entre o Jazz e a música Erudita contemporânea. Já viajou pelo Brasil, Europa, e Japão como músico de Quarteto em Cy, Ney Matogrosso, Gilberto Gil, Fafá de Belém, e outros. Apresentou seus próprios trabalhos nos festivais de Jazz de Montreux, Avignon, Zurich, Lausanne, além de Nova Iorque, Buenos Aires, Lisboa, e capitais do Brasil, deixando entrevistas em programas de televisão. Músico requisitado no mundo das atrações de dança, já se apresentou junto com importantes artistas como Carlinhos de Jesus, Steven Harper, Jimmy Slyde, Brenda Buffalino e o American Tap Orchestra, Van “The Man” Porter, e Backaari Wilder
Além de seu trio com o qual se apresenta regularmente no Rio de Janeiro, Bruce atua com o sapateador Steven Harper. Em duo eles encenaram o espetáculo Jungle Tap, que desde sua formação há dez anos em 1997, foi apresentado em todo o Brasil, Argentina, festivais de dança e de Jazz em Nova Iorque e na Suíça, várias vezes na Holanda e na França, programas de televisão e radio etc.
Atualmente dedica-se a um trabalho pioneiro titulado “Villa’s Voz”, projeto multimídia com música, dança, e vídeo, contemplando a obra do maestro Heitor Villa-Lobos de uma perspectiva contemporânea jazzística, através da criação de arranjos próprios e transcrições inéditas para quarteto de Piano, Contrabaixo, Bateria, e Violino.

Imagem: Jungle Tap no Festival de Jazz de Montreux, 2000

Contatos:
Produção: aline@burburinhocultural.com.br  
Steven: stevenharper2@gmail.com  
Bruce: brucehenri@gmail.com  

 

22

de
outubro

Cia Steven Harper

A seção ‘destaque brasileiros’ apresenta o trabalho de alguns sapateadores atuantes no cenário cultural profissional do país, com espetáculos já estreados e atuação regular. Por ser uma seção em constante construção, a lista nao é exaustiva.

 

A linguagem desenvolvida pela Companhia Steven Harper situa-se na fronteira entre a dança e a percussão. Explora ora o universo do corpo musical ora da música em movimento, do bailarino que participa do que o público ouve, que entende com os ouvidos o que seus olhos vêem. O sapateado americano é uma das ferramentas principais da companhia, apresentado de forma contemporânea e brasileira, buscando um novo caminho, códigos reformulados, referências modernas, enfim, uma forma de apresentá-lo que sai dos seus moldes habituais. Assim, é uma companhia de dança contemporânea que têm seus meios de expressões principais o sapateado, a percussão corporal, o uso da voz e os instrumentos variados em cena, tocados pelos integrantes.

Em ‘Sincopizante’ e ‘Sensorial’, a Cia desenvolveu uma parceria criativa com o coreógrafo de dança contemporânea Mário Nascimento, resultante em espetáculos de linguagem inovadora e investigativa, de busca do som produzido pelo corpo que dança. Assim, o espetáculo ‘COMBO’ vem sintetizar todo essa pesquisa de linguagem já amadurecida da Cia Steven Harper.

A companhia integrou de 2003-2005 o Programa de Subvenção à Dança Carioca da Prefeitura do Rio de Janeiro. No Rio, a Cia fez duas temporadas de ‘Sincopizante’ (teatro Cacilda Becker, sept 2002 e fevereiro 2003), uma com ‘Sensorial’ (Teatro Carlos Gomes, sept 2004) e duas com ‘Combo’ (Teatro Cacilda Becker, set 2006 e Teatro do Jockey, Out 2007). Ainda participou de eventos importantes, como o New York City Tap Festival, o Encontros de Dança, do SESC RJ (festivais de Inverno de Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo), e apresentou-se em São Paulo, Recife, Corumbá, Araraquara e Cabo Frio . Na sua edição de maio/junho 2005 a revista Dance Spirit (USA) destacou a Cia Steven Harper num artigo intitulado "5 companhias fazendo impacto na cena internacional".

Ficha Técnica
Concepção e direção Steven Harper
Assistente de direção Adriana Salomão
Coreografia Mário Nascimento, Steven Harper e bailarinos da Cia
Bailarinos 
Ana Fucs, Alice Fucs, Adriana Salomão, Bruno Barros, Munique Mattos e  Steven Harper
Desenho de luz Deise Calaça
Som Luis Cruz (Gugu)
Figurinos Valéria Martins
Pesquisa musical e montagem Steven Harper
Fotos Bruno Castaing e Mauro Kury
Produção Burburinho cultural

Crítica:
“Inovar, transformar, atualizar, reler, abrasileirar, todos esses verbos podem ser conjugados no espetáculo Sincopizante da companhia de Steven Harper. Com absoluto timing de desenvolvimento e duração da apresentação, o bailarino, coreógrafo e diretor conseguiu, com a parceria contemporânea de Mario Nascimento, o que muitos não acreditavam: mostrar que o tap está vivo, que as modalidades de dança não morrem quando artistas talentosos e apaixonados se reúnem para revivificá-la. E mais, que qualquer modalidade de dança tomará, fatalmente, a cara do povo que a executa sem que, para isso, seja preciso reinventar a bicicleta ou enveredar por clichês. Porque, obviamente, ali está a técnica tradicional do tap. Técnicas são técnicas e são insubstituíveis sempre. Desconheço os princípios do sapateado mas o que vi, independentemente de por que meios se expressaram seus criadores, é um divisor de águas no gênero.
A participação de Nascimento revela, neste brilhante coreógrafo contemporâneo, uma maneira de entender a dança que não exclui, ao contrário, reúne, inclui. E provoca o desejo de que juntos produzam outros trabalhos. Creio que não estaria exagerando se sugerisse que Sincopizante fosse apresentado fora do Brasil. Até porque, não se trata apenas de fugir do convencional, mas de revelar uma técnica que, ainda que oriunda de outra cultura adquire aqui um sotaque tão próprio que talvez o espetáculo inexistisse em outro contexto.
A busca de uma linguagem moderna se concretizou plenamente no gestual, na iluminação, na valorização do formidável trabalho rítmico inerente ao sapateado, inúmeras vezes a serviço do nosso, igualmente formidável, ritmo brasileiro. Contudo, paradoxalmente, Harper e Nascimento parecem prescindir do próprio sapateado explicitamente. É a dança que prevalece o tempo inteiro.
A malandragem e a irreverência carioca assimilada por Harper é contagiante. Mas ele não está sozinho nisso. O elenco é impecável, as figuras são bonitíssimas, a unidade é absoluta. Adriana Salomão, Alice Fucs, Ana Fucs e o ótimo Bruno Barros, participam organicamente do espetáculo e contribuem de forma exuberante para o sucesso de uma temporada que, realmente, surpreende e redimensiona o tap no mundo da dança em todos os níveis, fazendo, inclusive, com que ele seja repensado nos cursos de dança oficiais, em geral.”
Eliana Caminada, Jornal Dança, Arte e Ação (RJ), Maio de 2003

Contatos:
www.ciastevenharper.com.br   
www.stevenharper.com.br  
Email Produção Aline Cardoso aline@burburinhocultural.com.br  
Email Steven: stevenharper2@gmail.com  

22

de
outubro

Cintia Martin, A poética do pé

A seção ‘destaque brasileiros’ apresenta o trabalho de alguns sapateadores atuantes no cenário cultural profissional do país, com espetáculos já estreados e atuação regular. Por ser uma seção em constante construção, a lista nao é exaustiva.

 

Unir a alma feminina, a música e a dança. Assim nasce “A Poética do Pé”, uma performance que reúne sapateado, elementos da poesia e fragmentos de texto do universo investigativo de Adélia Prado, Clarice Lispector, Hilda Hilst, e outras autoras.

A sapateadora Cíntia Martin - que também é escritora, sendo premiada por alguns prêmios literários por suas crônicas e poesias - viu nessa soma de linguagens artísticas a possibilidade de reunir no palco duas de suas paixões e apresentar algo novo para o público, podendo criar uma identidade nova para o sapateado. O movimento, aqui, antes de qualquer coisa, estimula sensações, sejam visuais ou sonoras e o sapateado cria uma música própria onde a percussão dos pés dialoga com as palavras.

O ator e produtor Marcelo Albuquerque, que juntamente com Stela Celano dirige “A Poética do Pé”, fala um pouco da proposta: “inicialmente a vontade era de poder estar divulgando mais a arte do sapateado no Rio para que mais pessoas tenham acesso, para movimentar um pouco mais essa modalidade e até estimular outras iniciativas. A idéia foi: novas formas de criação, comunicação e estímulos através do sapateado. Primeiramente resolvemos usar metalinguagem, colocando a sapateadora como interlocutora destas partituras verbais ou não, para isso criou-se um roteiro com uma estrutura poética onde vida e arte se relacionam e impulsionam a dança. A segunda idéia foi trabalhar a percepção do público que vê e se relaciona com esses estímulos. A relação é pessoal, individual e intransferível. Essa troca é a ‘combustão’ da proposta e esperamos que seja uma experiência prazerosa para todos.”



FICHA TÉCNICA
Roteiro: Marcelo Albuquerque (baseado em fragmentos, idéias e entrevistas de Adélia prado,Cíntia Martin, Clarice Lispector, Hilda Hilst, Lucianno Maza, Pablo Neruda e Viviane Mosé).
Direção: Marcelo Albuquerque e Stela Celano
Bailarina e Coreógrafa: Cíntia Martin
Iluminação: Renato Machado

CONTATO
Marcelo Albuquerque
malbuq@gmail.com
(21) 8858-4363

 

17

de
outubro

Cia Shuffle Trips

A seção ‘destaque brasileiros’ apresenta o trabalho de alguns sapateadores atuantes no cenário cultural profissional do país, com espetáculos já estreados e atuação regular. Por ser uma seção em constante construção, a lista nao é exaustiva.

Sobre a Cia. Shuffle Trips
A Cia. Shuffle Trips, de Araraquara/SP, foi criada em 2005 por Gilsamara Moura e a colaboração de garotos da periferia da cidade com o intuito de fomentar a pesquisa de sons tirados dos pés e de instrumentos. Desenvolver, pesquisar, estudar e participar de um projeto de sapateado mais ousado foi o grande estímulo do grupo. A Cia. Shuffle Trips tem trabalhado, ao longo de seis anos, de maneira independente e com apoio incondicional da bailarina e coreógrafa araraquarense Gilsamara Moura e de colaboradores como Steven Harper e Adriana Salomão do Rio de Janeiro.

Sobre o Trabalho Ritmos da Vida
Ritmos da Vida é um espetáculo de sapateado, ritmo, percussão, voz e dança que nasceu de um projeto social e que, através da juventude, bate o pé, toca tambor e reafirma sua existência como cidadão. As coreografias presentes no espetáculo, se apóiam no trabalho desenvolvido ao longo dos anos pela Companhia Steven Harper do Rio de Janeiro e adaptadas pelo renomado sapateador ao novo contexto. O espetáculo intitulado Ritmos da Vida tem, como objetivo central, apresentar a pesquisa da fusão da arte do Tap Dance, Dança Contemporânea, Hip Hop e da Percussão Brasileira e possibilitar ao público, momentos de troca de sensações e estímulos.

Sobre Gilsamara Moura - Direção
Gilsamara Moura é Doutoranda em Comunicação e Semiótica - Artes pela PUC/SP. Bailarina, coreógrafa e atriz, dirige o Grupo Gestus, a Cia. Shuffle Trips e o Centro de Dança, ambos em Araraquara/SP. Foi bolsista da Fundação Vitae como coreógrafa residente no American Dance Festival (1998). Apresentou-se na Alemanha, Argentina, Colômbia, França, EUA, México, Peru e Paraguai. Foi Presidente da FUNDART (Fundação de Arte e Cultura do Município de Araraquara) de 2001 a 2004 e, atualmente, é vice-presidente. Idealizou, implantou e é gerente da Escola Municipal de Dança “Iracema Nogueira”, um novo conceito no ensino da Dança Contemporânea e tem transformado Araraquara num novo pólo de Dança do Estado de São Paulo com iniciativas como Festival de Dança, o CDDD (Centro de Difusão e Documentação de Dança), Corpos Q Falam, Projeto Incentivo à Dança, Projeto DançaParaTodos, Oficinas Culturais, Projeto Inter Vias (fomento, incentivo e circulação de cias. profissionais de dança contemporânea do interior Paulista), entre outros. Membro da Red Sudamericana de Danza. Curadora convidada do RUMOS Itaú Cultural 2007 (SP). Palestrante convidada do Brasil MOVE Berlim 2007 (Alemanha). Curadora convidada do Teatro Itália-TD Teatro de Dança 2007 (SP).


Integrantes
Ana Karla Marconato
Diogo Motta
Fábio Costa
Geraldo Junior
José Paulo dos Santos
Márcio Amaral
Pablo Lozano
Thays Beretta

Contato
Rua Padre Duarte, 2313 – Centro
14804-310 Araraquara/SP/Brasil
55 16 3335-2657
gilsamara@techs.com.br
pablo.ciast@gmail.com

Ficha Técnica da Cia. Shuffle Trips
Direção: Gilsamara Moura
Coreógrafa: Thays Beretta
Assistente e Colaboradora: Érica Duarte
Técnico de Som e Luz: Marco dos Anjos
Secretários: Pablo Lozano e Leonice Moura

Crédito das fotos: Érica Duarte

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