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A companhia conta com integrantes de diversas cidades do Estado, que se reúnem para somar e dividir, técnica e diferenças de estilo. É aberta a novos coreógrafos e convidados oriundos de outros estilos de dança. Ainda estamos engatinhando e descobrindo nosso caminho mas gostaria de dizer que me sinto realizada e feliz de ter conseguido juntar pessoas de muito valor para a dança e que acreditam no sapateado como eu sempre acreditei. Fizemos algumas apresentações com o espetáculo:
• Inside the Music : Coreógrafos : Adriana Digiovanni,Charles Renato, Juliana Garcia e Steve Zee
• Elenco : Adriana Digiovanni, Aline Carneiro, Ana Paula Veneziani, Charles Renato, Juliana Garcia, Maíra Ovalle, Rafael Gonçalves, Samanta Varela e Susan Baskerville.

• Direção Geral Kika Sampaio
• Apresentações:Mostra de Dança de Corumbá - Corumbá 2007; Abertura do Festival Passo de Arte – Indaiatuba 2008; Brasil Internacional Tap Festival – Campinas 2008
Os Primeiros Passos da Cia
Fiz várias tentativas de ter uma companhia de sapateado americano sendo a primeira "Salto e Sola" juntamente com a Marchina, que posteriormente se transformou na "Brasil Tap Dance", e que seguiu caminho somente com Marchina.
Depois continuei com a Cia. do Kika Tap Center, que acabou terminando por falta de verba. Já numa nova fase de vida e com um novo olhar sobre a dança em 2006, o Kika Tap Center completou 25 anos e para este dia foi elaborada uma noite bem especial onde juntou grandes nomes do sapateado e da música, como a Traditional Jazz Band; Giba de Syllos, Chris Matallo, Charles Renato, Juliana Garcia, Adri Digiovanni, Kátia Barão, Susan Barkerville, Marcela Benvegnu ... E foi lá que começaram a surgir às primeiras idéias incentivada pelo professor americano Steve Zee para o surgimento da KS Cia de Sapateado, que tem como principal proposta reunir grandes sapateadores, revelar novos coreógrafos e apresentar um trabalho que valorize cada indivíduo como um todo.
Kika Sampaio - Diretora artística
Diretora do Kika Tap Center desde 1982, escola pioneira no Brasil especializada em sapateado americano e representante oficial do método de ensino “Kahnotation”. Atua como professora e coreógrafa.
...Quando comecei a sapatear, o sapateado estava “ressurgindo”. Tudo começou em 1976, em Londres, quando tive o meu primeiro contato com esta dança. A dança sempre existiu na minha vida. Fiz muitas aulas de clássico, expressão corporal, moderno, jazz... De volta ao Brasil, encontrei um professor em São Paulo, chamado Gualter da Silva, que me ensinou muitas coisas e me aconselhou a ir aos USA para me aperfeiçoar.
Conhecendo o professor Stanley Kahn, em São Francisco, vi que tínhamos algo em comum: a preocupação em ensinar esta arte de uma forma descontraída e simples. Em Nova York tive aulas com grandes professores que me ensinaram outros estilos de sapateado. A minha escola é a do “Tradicional Tap”, sapateado tradicional, que valoriza os antigos sapateadores pela suas criações e pelo seu valor na história do sapateado Americano.
Durante este período criei várias coreografias para os principais musicais em São Paulo, trabalhando junto aos mais importantes diretores do teatro nacional como Jorge Takla, Charles Müller, Jorge Fernando, Wolf Maia dentre outros.
Nos EUA, fui convidada a participar do "Special Tap Dance Tribute to Mr. Stanley Kahn" realizado em S.Francisco e Special Tap Tribute to Henry Lee Tang New York.
Fez parte do Conselho Consultivo do Festival de Dança de Joinville 2005-2006. Pioneira no Brasil do curso de sapateado a longa distancia, pela Unidança.
Atualmente além de dar aulas, também ministra cursos de especialização em metodologia de ensino para professores.

James Titus Godbolt nasceu em Atlanta, em 1927, mas foi em Boston, onde seus pais se mudaram quando ele ainda era criança, que descobriu seu amor e talento pelo sapateado. Ainda jovem, juntou-se ao Jimmy Mitchell para criar a dupla The Slyde Brothers, com o qual desenvolveu seu estilo deslizante. Ficou rapidamente conhecido no meio como Jimmy Slyde.
Seu estilo elegante, sua musicalidade impecável, seu senso de ritmo, seu carisma e seus famosos deslizes pelo palco o tornaram uma personalidade em constante demanda pelas grandes orquestras de jazz da época, trabalhando assim com os maiores jazzistas, como Duke Ellington, Count Basie e Louis Armstrong, entre outros.
Nos anos 70, morou na Suíça e na França, onde ajudou a desenvolver o rhythm tap, junto com Sarah Petronio. Em 1985, participou da montagem original de "Black and Blue", em Paris, e em 1987 voltou para os Estados Unidos, trabalhando nos espetáculos “Black and Blue” na Broadway, e nos filmes “Tap” (com Gregory Hines e Sammy Davis Jr), "The Cotton Club", “Round Midnight”, e outros.
Jimmy foi o mentor de sapateadores importantes da cena atual, como Van Porter, Max Pollack, Tamango, Roxanne 'Butterly’, entre muitos outros.
Ele faleceu dia 16 de maio 2008, aos 80 anos de idade.
Fiz essa entrevista em maio de 1998, quando veio ao Rio de Janeiro, a convite de Claudio Figueira, para participar do “Tap Encontro”. Vale a pena reler.
Steven Harper: Esta é a primeira vez que você vem ao Brasil?
Jimmy Slyde: Não, eu estive aqui antes com um show chamado "A Thousand Years of Jazz" – no Rio, São Paulo e algumas outras cidades da América Latina. Havia grandes dançarinos no grupo: Lon Chainey, Ralph Brown... foi ótimo.
SH.: Você se lembra em que ano foi isso?
JS.: Não exatamente, foi no início dos anos 70, antes de me mudar para a
Europa (Jimmy passou vários anos na Suíça e na França)
SH.: Essa turnê era com uma big band?
JS.: Não era uma orquestra grande, mas era uma grande orquestra. Chamava-se "The Legends of Jazz". Eles já eram senhores, todos de Nova Orleans e tocavam o jazz tradicional. Eles tinham em média 70, 80 anos –
foi um show muito bom.
SH.: Você era o jovem então?
JS.: Sim, eu era a criança no show (risos - ele tinha uns 45 anos).
SH.: Você conheceu algum sapateador brasileiro nesta turnê?
JS.: Um amigo me levou a alguns estúdios de dança. Eles não tinham muita gente com chapinhas, mas estavam sapateando, dançavam com sapatos comuns. O sapateado ainda não era muito popular e conhecido na época. Eles gostavam de assistir, a audiência era ótima, mas eu não acredito que muitos sapateadores tenham estado aqui antes de nós.
SH.: Agora você volta e tem entre 60 e 70 alunos assistindo sua aula. Qual
foi sua impressão sobre eles?
JS.: Eu penso o mesmo que antes: deveria haver mais sapateado no Brasil!
Eu fiquei feliz de ver tantos dançarinos maravilhosos, eu fiquei realmente
impressionado. Nas aulas nós não nos comunicamos verbalmente porque eu não falo português, mas nós nos comunicamos e eles entenderam e fizeram o que eu pedi que fizessem. Fizemos alguns fundamentos do sapateado e foi uma boa aula, acredito que eles se divertiram.

SH.: Em outras entrevistas suas, você sempre enfatiza a importância das
bases do sapateado. Porque isso e o que você achou dos sapateadores daqui?
JS.: Bem, as bases são o mais importante porque qualquer dança que se faça, consiste de básicos. É como um instrumento musical, você não vai tocar nenhuma nota que não esteja lá. Existem as bases e se faz combinações de passos a partir delas. Logo aqui, como em qualquer outro lugar, eles precisam praticar mais o básico. O mesmo vale pra você, pra mim, pra qualquer um! Eu também vi uma movimentação de qualidade e particularmente muito prazer em fazê-lo, então estou feliz com o que vi aqui.
SH.: Você se sente especialmente satisfeito quando vê jovens sapateando?
JS.: Sempre, sempre, porque eu sei que vai durar: jovens mostrando a outros jovens, mais velhos mostrando aos jovens... e o prazer continua, afinal a dança é essencialmente, prazer.
SH.: O sapateado quase sumiu durante os anos 50 e 60 nos Estados Unidos, durante esses anos, alguma vez você achou que o sapateado ia simplesmente morrer?
JS.: A dança não acabaria nunca, talvez os trabalhos. Mas o sapateado não acabaria, ou morreria, nunca. Os clubes, teatros, lugares onde as big bands tocavam, todos eles passaram a apresentar outros tipos de shows. A realidade crua ganhou mais importância, os negócios mudaram e não acho que estejamos melhor assim. Da mesma forma aconteceu com o cinema, nós costumávamos ver um monte de musicais, agora tudo que há é violência, não vejo alegria na indústria do entretenimento. Eu gostaria de ver um musical de vez em quando, o cinema. Quando foi a última vez que você viu um musical, fora da Broadway? Então, eu penso que se nós voltarmos para essas produções um pouco mais, mesmo que enfatizando hip hop, ou rap, ou o que quer que seja, o sapateado tem que estar presente, ele é clássico, vai existir enquanto existir dança. É simples assim.
SH.: Você mencionou hip hop, o que me faz pensar em Savion Glover (a
estrela do musical "Bring in da Funk, Bring in da Noise"). Você o vê como
um líder, alguém que pode influenciar positivamente e inspirar a nova
geração? (lembra que a entrevista data de 1998!)
JS.: Ah, ele já fez isso, inspirou um monte de jovens. Ele fez a dança importante de novo porque mostra a energia e a juventude, mas também mostra um grande sapateado – é fantástico – e ele passa sua experiência para outros grandes dançarinos como Bakaari Wilder, Omar, Derek Grant e todos os outros que fazem parte do show. Eles estão realmente marcando presença no mundo da dança.
SH.: Que conselho você daria para os jovens sapateadores de hoje?
JS.: É o mesmo que se preparar para o esporte: fique em forma. Entre-se em forma praticando, sabendo as bases. Eu continuo voltando para elas, isso te deixa afinado. Eu não acho que todos devam tentar ou vão tornar-se profissionais, mas vão ter muita diversão somada a um exercício melhor que aeróbica, e serve para pessoas mais velhas também. Você sabe, eu não sou mais nenhum garoto. Sapatear me mantém firme através dos anos, não é apenas saudável há também muito prazer na dança. A pessoa se inspira e não pára nunca de aprender. É uma atividade feliz!
SH.: Você diz que nunca pára de aprender. Você sempre sapateou do mesmo jeito que hoje? Depois de 50 anos de dança, você ainda se inspira com ela? Ainda cresce como dançarino?
JS.: Não acho que esteja crescendo e sim amadurecendo. Eu não me esforço
tanto, não pratico como deveria. Não sou um dançarino aspirante. Transpirante sim, aspirante não (risos). Isso é para a juventude. Eles têm que se exercitar, estar por dentro, trocar passos, ver o que os outros estão fazendo, gostar e pegar algo para si... manter-se saudáveis no sapateado. Eu mesmo fico por aí, tomando conta das minhas crianças, porque eu os chamo a todos de minhas crianças, Savion, Bakaari, Derek, Van Porter e todo mundo. Quando eles precisam saber de alguma coisa eu procuro estar à disposição. Van me chama de doutor, "Dr. Slyde" (risos). Então eu espero estar sendo útil aos dançarinos mais jovens, pra fazê-los ver como é bom.
SH.: Você teve uma boa vida?
JS.: Maravilhosa – e ainda continua...
SH.: Desculpe, não me leve a mal...
JS.: Ah, não, não... esta é a boa parte – a vida continua e eu sinto que ainda tem alguma coisa boa vindo por aí. Enquanto eu puder, por exemplo vir ao Rio e ter a oportunidade de fazer as pessoas sorrirem, isso me faz sentir feliz.
SH.: No palco você nunca se repete ou faz as mesmas combinações?
Sempre trabalhou na base do improviso ou já fez parte de um show onde devia repetir uma coreografia?
JS.: Eu amo improvisar porque amo o jazz, sou da geração do Be-bop, com Dizzy Gillespie, Charlie Parker, esse pessoal. Eu gosto da liberdade que o improviso permite. Eu sou um fã e estudioso dessa parte da dança, eu tento mantê-la viva. Eu espero que mais tarde alguém faça isso por mim.
SH: Mas o Be-bop não é uma música dançante, pelo menos não é a intenção do Be-bop de fazer dançar.
JS: Bom, alguns falam isso mas para mim era. Talvez porque conseguia pensar rápido o suficiente ou era interessado o suficiente em saber qual seria o papel do Be-bop dentro do jazz para querer participar do processo. Tenho a chance de ter muitos bons amigos músicos como Barry Harrisson, Dexter Gordon e de trabalhar com eles. A grande época dos big bands chegava no fim, era mais, sabe, pequenas bandas, e eu tinha mais gosto para o Be-bop.
Hey, não mudaria nada. Bom, na verdade gostaria de ter visto alguns sapateadores, como Baby Laurence, desfrutar de mais sucesso, que mais pessoas os conhecessem, porque eram realmente incríveis. Não pode imaginar a não ser que estava na companhia deles e pude ver e ouvir o que estavam fazendo. Eram tão a frente dos outros.
Mas eu, como disse, tento preservar e levar a arte para frente. Sou um fan e um estudioso dessa forma de sapatear. Espero que depois de mim vem alguém para a levar adiante. Van "The Man" está indo bem, Savion está ótimo. Herben Van Caseyle (‘Tamango’. Nota do tradutor) da Guiana, Roxanne (‘Butterfly’, como ele mesmo a batizou. Nota do tradutor), da França, tem muita gente.
SH.: Eles são seus "protegidos"?
JS.: Bom, nós temos algo em comum, nós curtimos o mesmo sentimento pela dança que é brincar com a música, não apenas tocá-la, mas brincar com ela, a gente se diverte muito trocando passos. Enquanto existir música, haverá dança.
SH.: Eu gostaria de dizer que, não apenas para mim mas para todas as pessoas envolvidas neste "Tap Encontro", a sua vinda aqui é algo muito especial, um grande evento, provavelmente maior do que você próprio possa imaginar.
JS.: Esse é um grande privilégio, não apenas ver o que estou vendo e ouvir o que estou ouvindo mas só de saber que alguém se importa com a dança e quer ver o coroa aqui escorregando por aí – fico muito orgulhoso. Sou grato ao Cláudio Figueira por me convidar e aos dançarinos pelo interesse e pela forma como o demonstram. E não esqueçamos a Margaret Morisson, ela está fazendo um maravilhoso trabalho deixando as crianças afinadas...
SH.: Muito obrigado por nos ceder um pouco do seu tempo, você teria algum comentário final?
JS.: Que a boa dança continue e que as pessoas possam ter prazer assistindo e participando.

Esse texto entra no capitulo dos 'assuntos relacionados'. Foi enviado por Juliana Castro, de Brasília.
Dalcroze e a Eurritmia
Aos 27 anos de idade, como professor no Conservatório de Música de Genebra e já então um compositor reconhecido, Emile Jaques-Dalcroze constatou que os estudantes não conseguiam ouvir (pela escuta interna ou mental) a música que viam escrita na partitura impressa, e que estes mesmos estudantes executavam o que liam de uma forma mecânica e pouco musical.
Estas observações levaram Jaques-Dalcroze a compreender que faltava aos estudantes a coordenação entre olhos, ouvidos, mente e corpo necessária para aprender o repertório e, principalmente, para tocar bem. Assim, percebeu que o primeiro instrumento musical que se deveria treinar era o corpo. Isto foi em 1887.
Em meados do século XX diversas pesquisas confirmaram estas idéias: a kinestesia (de kines = movimento, thesia = consciência) é de fato o sexto sentido. Na infância, todos os sentidos recebem informações da kinestesia – por isso é que as crianças estão sempre se movimentando, explorando o mundo e construindo os “mapas” mentais que serão usados pelo resto da vida.
Eurritmia significa literalmente “bom ritmo” (de eu = bom, ritmo = fluxo, rio ou movimento). Combinação harmoniosa de proporções, linhas, cores e/ou sons; harmonia de um todo; movimentação harmoniosa das partes que compõem um organismo. A eurritmia de Dalcroze estuda todos os elementos da música através do movimento, partindo de três pressupostos básicos:
1. Todos os elementos da música podem ser experimentados (vivenciados) através do movimento.
2. Todo som musical começa com um movimento, portanto o corpo, que faz os sons, é o primeiro instrumento musical a ser treinado.
3. Há um gesto para cada som, e um som para cada gesto. Cada um dos elementos musicais – acentuação, fraseado, dinâmica, pulso, andamento, métrica – pode ser estudado através do movimento.
Muita gente pensa, equivocadamente, que a Eurritmia é uma espécie de dança, ou de ensino de movimentos bonitos. Na verdade, os movimentos usados na Eurritmia são improvisados pelos próprios alunos, e não propostos pelo professor.
A dança é uma arte em si mesma; a eurritmia é um meio para se atingir a plena musicalidade. O professor que usa a metodologia de Dalcroze costuma pedir aos alunos: “Mostrem-me o que vocês estão ouvindo”, em vez de “Digam-me o que vocês estão ouvindo”.
Como a música é arte não verbal, é este universo sem palavras que deve ser explorado durante as aulas e workshops. Há muita atividade física, muito movimento enquanto se ouve a música tocada pelo professor (geralmente improvisando ao piano). Nestes jogos e brincadeiras rítmicas os alunos se envolvem e aprendem a aplicar, nas aulas e nas suas performances, os conceitos ali vivenciados. Sempre que possível, usam a demonstração ao invés da narrativa oral.
A mesma idéia se aplica à formação de professores para o método: “Tentar aprender o método Dalcroze somente com a leitura é o mesmo que tentar aprender a nadar somente através da leitura”.
O Método Dalcroze
Para cada som existe um movimento análogo, e para cada movimento existe um som análogo.
O Método Dalcroze visa à aprendizagem da música através da utilização do movimento e da sensação corporal.
As atividades propostas na experiência musical transformam-se em conhecimento durante um processo altamente interativo.
Por meio de jogos, atividades musicais, improvisos e dramatizações corporais, busca-se um amplo desenvolvimento do indivíduo.
O método eurrítmico é um sistema de treinamento musical que utiliza a resposta do aluno ao ritmo proposto através de movimentos rítmico-corporais. Para Dalcroze o "movimento corporal é o fator essencial para o desenvolvimento rítmico do ser humano", ou que "a execução de ritmos corporais contribuem para o desenvolvimento da musicalidade". Na prática pelo movimento corporal é que se pede tomar consciência do valor plástico do ritmo, assim como nas diversas modalidades agógicas e dinâmicas.
A rítmica desempenha um papel importante em todo programa de educação musical infantil. Dalcroze é considerado por muitos o "promotor do desenvolvimento rítmico, tanto que sua influência tem sido preponderante”. Ele criou a rítmica constatando que, na música, o elemento mais violentamente sensorial, o mais estreitamente ligado à vida, é o ritmo, o movimento.
A rítmica tem por propósito "desenvolver e regular as faculdades motrizes do indivíduo, criar novos reflexos, harmonizar, associar os movimentos corporais em co-relação com os movimentos do pensamento, e estabelecer uma comunicação íntima entre as ações e os desejos; entre as sensações e os sentimentos; entre a imaginação e a sensibilidade". Enfim, Dalcroze entende o ritmo como fator organizador dos elementos musicais e que toca, de imediato, a sensibilidade infantil.
Para Dalcroze, qualquer fenômeno musical é objeto de uma representação corporal: pulso, acento, valores rítmicos e silêncios de caráter rítmico; caráter melódico e dinâmico (altura, intensidade e timbre); caráter harmônico (relações de tensão entre tônica e dominante) e caráter formal (frases, estruturas e formas musicais). Apela continuamente à atenção, à memória auditiva e à capacidade de livre expressão do aluno, mediante a criação de exercícios rítmicos e melodias com ritmo, de movimentos simples e coreografados.