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28

de
maio

Jimmy Slyde, uma entrevista, parte 1

James Titus Godbolt nasceu em Atlanta, em 1927, mas foi em Boston, onde seus pais se mudaram quando ele ainda era criança, que descobriu seu amor e talento pelo sapateado. Ainda jovem, juntou-se ao Jimmy Mitchell para criar a dupla The Slyde Brothers, com o qual desenvolveu seu estilo deslizante. Ficou rapidamente conhecido no meio como Jimmy Slyde.
     Seu estilo elegante, sua musicalidade impecável, seu senso de ritmo, seu carisma e seus famosos deslizes pelo palco o tornaram uma personalidade em constante demanda pelas grandes orquestras de jazz da época, trabalhando assim com os maiores jazzistas, como Duke Ellington, Count Basie e Louis Armstrong, entre outros.

     Nos anos 70, morou na Suíça e na França, onde ajudou a desenvolver o rhythm tap, junto com Sarah Petronio. Em 1985, participou da montagem original de "Black and Blue", em Paris, e em 1987 voltou para os Estados Unidos, trabalhando nos espetáculos “Black and Blue” na Broadway, e nos filmes “Tap” (com Gregory Hines e Sammy Davis Jr), "The Cotton Club", “Round Midnight”, e outros. 
     Jimmy foi o mentor de sapateadores importantes da cena atual, como Van Porter, Max Pollack, Tamango, Roxanne ‘Butterly’, entre muitos outros.

Ele faleceu dia 16 de maio 2008, aos 80 anos de idade.

Fiz essa entrevista em maio de 1998, quando veio ao Rio de Janeiro, a convite de Claudio Figueira, para participar do “Tap Encontro”. Vale a pena reler.

Steven Harper: Esta é a primeira vez que você vem ao Brasil?
Jimmy Slyde: Não, eu estive aqui antes com um show chamado "A Thousand Years of Jazz" – no Rio, São Paulo e algumas outras cidades da América Latina. Havia grandes dançarinos no grupo: Lon Chainey, Ralph Brown… foi ótimo.

SH.: Você se lembra em que ano foi isso?
JS.: Não exatamente, foi no início dos anos 70, antes de me mudar para a
Europa (Jimmy passou vários anos na Suíça e na França)

SH.: Essa turnê era com uma big band?
JS.: Não era uma orquestra grande, mas era uma grande orquestra. Chamava-se "The Legends of Jazz". Eles já eram senhores, todos de Nova Orleans e tocavam o jazz tradicional. Eles tinham em média 70, 80 anos –
foi um show muito bom.

SH.: Você era o jovem então?
JS.: Sim, eu era a criança no show (risos - ele tinha uns 45 anos).

SH.: Você conheceu algum sapateador brasileiro nesta turnê?
JS.: Um amigo me levou a alguns estúdios de dança. Eles não tinham muita gente com chapinhas, mas estavam sapateando, dançavam com sapatos comuns. O sapateado ainda não era muito popular e conhecido na época. Eles gostavam de assistir, a audiência era ótima, mas eu não acredito que muitos sapateadores tenham estado aqui antes de nós.

SH.: Agora você volta e tem entre 60 e 70 alunos assistindo sua aula. Qual
foi sua impressão sobre eles?

JS.: Eu penso o mesmo que antes: deveria haver mais sapateado no Brasil!
Eu fiquei feliz de ver tantos dançarinos maravilhosos, eu fiquei realmente
impressionado. Nas aulas nós não nos comunicamos verbalmente porque eu não falo português, mas nós nos comunicamos e eles entenderam e fizeram o que eu pedi que fizessem. Fizemos alguns fundamentos do sapateado e foi uma boa aula, acredito que eles se divertiram.

- Não perde a segunda parte da entrevista

 

Arquivado em: entrevistas I

1 Comentário »

  1. Comentário por Janaina Veloso , Aracaju-SE. — 13 de junho de 2008 (13:21)

    Achei emocionante mesmo , afinal assisti um pequeno trecho em um filme , onde Jimmy Slyde , Gregory Hines e outros sapateadores mais velhos davam um show . E engraçado , pois o Jimmy usava um lenço na cabeça e estava bem malandro sabe , bem engraçado . Adorei a entrevista também .

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