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Esse blog reúne artigos de conteúdo sobre a arte do sapateado americano. Para VISUALIZAR A LISTA com todos os artigos postados, digite "lista de artigos" na caixa "buscar". Se quiser publicar um artigo, entre em contato comigo via e-mail. Boa leitura

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Terra Blog

22.10.07

Cia Vatá, Valeria Pinheiro

A seção 'destaque brasileiros' apresenta o trabalho de alguns sapateadores atuantes no cenário cultural profissional do país, com espetáculos já estreados e atuação regular. Por ser uma seção em constante construção, a lista nao é exaustiva.

Depoimento

Há mais de 20 anos venho dedicando minha vida artística a fazeres que envolvem pesquisa acadêmica, pesquisas in loco e realizações de espetáculos, no universo das tradições e manifestações populares do Brasil.

Cearense filha de sertanejo me criei nesse universo, onde as danças e “sapateados” feitos pelo meu pai, um Mestre de reisado, me imprimiu um acervo musical e corporal que me empurra ainda mais pra o universo fascinante das tradições do meu país.

Formei-me Engenheira Civil pela Universidade Federal do Amazonas / Universidade Federal do Ceará, e, me descobrindo artista, senti necessidades de migrar pro eixo Rio - São Paulo, para me aproximar ainda mais de informações preciosas que infelizmente, ainda não nos eram possíveis em meu Estado. Entre o ser Engenheira Civil e o ser Artista, larguei a prancheta e me dediquei de corpo e alma a minha dança. Passei cerca de 18 anos no Rio de Janeiro, onde fiz mestrado em Análise de Sistemas e paralelo a isso me infiltrei no cenário artístico, coreografando, dirigindo ou produzindo e pensando arte.

Foi no Rio de Janeiro, onde primeiro fiz minha pesquisa, de forma mais acadêmica, isso se deu nos morros, mergulhando no universo do samba, e desde então me aproximar, viver e colher o melhor dos Mestres das Tradições ditam o meu tempo e minha história artística.

Em 1994, fundei a Cia. Vatá no Rio de Janeiro, que dentro do cenário artístico carioca fez vários espetáculos e foi merecedora de importantes prêmios, entre eles o Prêmio Coca-Cola de teatro jovem e o Prêmio APETESP da academia paulista de artes cênicas.

Em 2000, a convite do Professor Flávio Sampaio, na época diretor do Colégio de Dança do Ceará e representante legal da área de dança da Universidade Gama Filho - Ceará no departamento do curso superior em Dança e Coreografia, mudei de residência e voltei às minhas raízes no Ceará, deixando no Rio uma companhia que já andava sozinha e já pertencia ao meio artístico com raízes calcadas no trabalho conquistado ao longo de todos esses anos.

Entrei para o Colégio de Dança do Ceará e terminei meu curso de graduação como coreógrafa e já ministrava aulas na Universidade Gama Filho, pioneira no Ceará no curso superior em dança e coreografia.

Resolvi retomar minha Cia. Vatá, e através de audição, constitui um corpo de bailarinos genuinamente cearense. Começamos essa nova jornada, e em outubro de 2000 já estávamos com nossa primeira produção em cartaz em Fortaleza, “Brasil de Todos os Ritmos”, que mereceu representar o Ceará / Brasil na EXPO2000 em Hanôver na Alemanha, prêmio esse patrocinado pelo Governo do Estado do Ceará em parceria com a Embaixada brasileira na Alemanha.

Seguimos nossas pesquisas e investigações e produzimos em 2001 “Bagaceira”, o primeiro espetáculo de uma trilogia onde o universo pesquisado é o corpo provindo das matrizes tradicionais e folguedos nordestinos. O espetáculo ganhou dois importantes prêmios: Em Cena Brasil - 2001 (Ministério da Cultura e Funarte) e o Prêmio de Incentivo às Artes Cênicas, da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará. O espetáculo nos colocou no mercado nacional e internacional, circulamos pelos principais teatros do Brasil e participamos do II New York Tap Festival,  em julho de 2002.

Começamos a nossa pesquisa em meados de julho de 2002, e de lá pra cá, o universo pesquisado nos deu subsídios que compuseram as matrizes corporais e rítmicas do segundo espetáculo da trilogia. Em dezembro de 2002, tivemos a feliz notícia de termos sido aprovados pelo Projeto Petrobras de artes cênicas. Essa notícia nos avalizou para seguirmos as nossas pesquisas a cerca do corpo ritualístico, e visitamos vários municípios do Ceará, Pernambuco, Goiás e Bahia em busca de maiores informações que serviram de mote no universo do qual falamos em “Bagaceira, a dança dos Orixás”.

Circulamos pelos principais festivais de dança contemporânea do Brasil (Festival Dança Brasil, Festival Migrações, Festival de Inverno de Campina Grande, IV Bienal de Dança do Ceará) além de fazer uma turnê por Nova York, Montana e Chicago, nos Estados Unidos.
A parceria com a Petrobras nos proporcionou formar uma equipe de criação para esse espetáculo com os principais nomes do nosso Estado, como: o grande artista plástico e escritor cearense Descartes Gadelha na pesquisa acadêmica, André Scarlazzari no cenário, Ruth Aragão nos figurinos, Fernando Peixoto e Walter Façanha na luz, e Paulo Amoreira na programação visual.

‘Bagaceira, a dança dos Orixás “ em sua composição e apresentação gráfica, nos coloca em patamares nunca alcançados por uma Companhia de Dança de nosso Estado. A credibilidade junto às empresas cearenses e nacionais aumentou ao longo desses últimos 4 anos, e acreditamos ser possível continuarmos em parceria com o governo do Estado do Ceará e empresas cearenses que vêm apoiando a dança no Ceará.

“Bagaceira, a dança dos Ancestrais” encerrou a trilogia e já percorre uma trajetória de sucesso.  Nossas mentes e corações estão agora voltados pra “Caçadores de Pipa”, espetáculo que nos fez viajar pela história do samba no Brasil, seguindo a trilha da diáspora do negro no Brasil.

Caçadores de Pipa
O projeto “Caçadores de Pipa” é mais um espetáculo a juntar-se ao repertório da Cia Vatá, que celebra o resultado de vários anos de pesquisas dentro dos ritmos e danças da tradição brasileira.

Nele abordamos o corpo no samba e suas influencias dentro das manifestações afro-brasileiras, seguimos esse corpo pesquisando a diáspora do negro no Brasil, com embasamentos calcados em pesquisas in loco, e um recorte para o corpo nas manifestações dos ritmos, danças e crenças no universo afro-brasileiro, tendo como foco o samba e suas influências em ritmos tradicionais nordestinos.

A concepção do texto e música foi baseada em pesquisas da história do samba, onde a mitologia recortada desse universo é apresentada através do corpo e no uso de onomatopéias, o ritmo e os sons dos sapatos de sapateado recriam o “Semba” e as fictícias ladeiras da baixa do sapateiro no cenário, trazem á tona a sensualidade desse corpo que originou a marca do Brasil tão conhecida do mundo: o samba.

Nessa fase tivemos a participação preciosa do coreógrafo baiano radicado em Miami-EUA, diretor da International Florida University, Augusto Soledade, que tem como mergulho principal de sua obra a cultura afro-brasileira.  Essa contribuição foi de enorme importância pra nossa obra em geral e em especial pra construção desse novo trabalho.

“Se a memória é conhecimento, a construção de uma proposta estética tem em nós uma possibilidade de resgate dos valores impressos em nossos corpos através da cultura. Em cada fragmento de corpo está a estrutura do todo. Conhecer o que nos torna parte singular desse todo é compreender melhor a verdade do nosso corpo. Entendemos, no entanto, que não há a possibilidade de fuga dessas impressões de espaço, ritmo e lugares que nos permeiam e formam” (Eugênio Barba).


Contato:
085-3219-4939 (Café Teatro das Marias e residência Cia. Vatá)
Email: valtaper@oi.com.br


  • criado por  Steven Harper criado por Steven Harper
  • Postado em 16:24:14
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